GLOBAL ALLIANCE OF WASTE PICKERS
GLOBAL ALLIANCE OF
WASTE PICKERS
The Global Alliance of Waste Pickers is a networking process supported by WIEGO, among thousands of waste picker organizations with groups in more than 28 countries covering mainly Latin America, Asia and Africa.
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June 13, 2012


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Rio de Janeiro – 13 de junho de 2012. + info

Em português

Durante a realização da Rio+20, a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, 141 catadores estarão trabalhando para processar o material reciclável produzido durante este encontro e também na Cúpula dos Povos, o evento organizado pelos movimentos sociais e a sociedade civil global que acontecerá entre os dias 15 e 23 de junho.

A presença dos catadores nesses dois eventos paralelos é uma grande conquista. Desde março deste ano, Claudete Costa — presidente da cooperativa Reciclando Para Viver, e Custódio Chaves — presidente da Cooper Gericinó de Bangú (que também fazem parte da coordenação do Movimento Nacional de Catadores -Rio de Janeiro) têm trabalhado intensamente na organização da tenda de reciclagem da Cúpula dos Povos desde março, com o apoio de André Abreu, contratado pela GAIA (Aliança Global Contra Incineração).

Na semana passada, os 50 catadores contratados para trabalhar na Cúpula dos Povos, localizado no Aterro do Flamengo, e os 75 catadores contratados para trabalhar em seis locais onde terão eventos da Rio+20 completaram a capacitação no galpão da cooperativa Sositex e Doe Seu Lixo. O instituto e a cooperativa têm sido parceiros durante este processo e já estão recebendo materiais recicláveis dos pre-eventos da Rio+20.

“Gordin” Alexandre Freitas Mariano, fez parte da equipe de catadores e apoiadores que coordenou pontos de reciclagem nos seis locais onde terão eventos do Rio+20, que foi possível com o apoio do Instituto Estadual do Meio Ambiente (INEA).

Segundo Mariano, os catadores do Rio de Janeiro e da região metropolitana tiveram problemas durante muito tempo. Mas “estamos nos aliando”, ela confirma.

“A gente tem que estar preparado para os mega-eventos. Temos que aproveitar esses momentos e nos unir no máximo possível no caminho ao avanço da categoria. E de conseguir e seguir depois dessa moda de reciclagem passar … depois da Copa ninguém vai lembrar da sustentabilidade. Para a gente que se sustenta dessa sustentabilidade, quando passar essa época, vai ser osso”.

Os catadores de Rio de Janeiro e a região estão se preparando para escrever uma carta ao governo, falando dos problemas sérios que eles enfrentam faz muito tempo. Segundo Mariano, um dos maiores problemas no Rio de Janeiro é a coleta seletiva insuficiente — “a não chegada do material reciclável nas cooperativas e o fato que o material é compactado e desqualificado pela forma que a COMLURB trata o material.” Os catadores hoje precisam ir até o material, que é jogada num transbordo muito longe da maioria das cooperativas, disse Mariano.

“Fica difécil a gente participar”, completa ele. Além disso, o material é muito misturado.

Em Duque de Caxias, segundo Mariano, não existe coleta seletiva.

Por enquanto, os catadores estão se comunicando diretamente com grandes geradores de material recicláveis. “O mês passado, reciclamos 21 toneladas só de grandes geradores” disse Mariano. “No mês de maio, nós reciclamos nenhuma grama da coleta seletiva. Se a gente for contar com a coleta seletiva de Duque de Caxias, a gente morre de fome.”

“A população está fazendo certo separando o lixo” disse Mariano. “É a COMLURB que não está”.

Até as empresas multinacionais têm se adaptado à necessidade de pensar na reciclagem sustentável. “Anos atrás, ninguém queria saber do catador. Hoje tem empresas multinacionais que apoiam a gente.”

Em inglês

During Rio+20, 120 waste pickers will be in charge of processing the recyclable material that is generated at the United Nations Conference on Sustainable Development as well as at the People’s Summit, the parallel event bringing together thousands of social movements and civil society from across Brazil and around the world, happening June 15-23.

The waste pickers’ presence at both Rio+20 and the People’s Summit is a big victory. Claudete Costa, the president of the waste pickers’ cooperative Reciclando Para Viver (Recycling to Live), and Custódio Chaves, the president of the cooperative Cooper Gericinó in the open dump of Bangú — along with André Abreu, of GAIA — took on the coordination of the immense task of setting up and finding funds for recycling at the People’s Summit. The coordinating team, with support from other leaders of the National Movement, was also in charge of securing educational spaces where waste pickers will hold panels and events.

This past week, the Rio coordinating team finished one of the final steps of this process – training the 120 waste pickers that will be working full-time throughout the People’s Summit and Rio+20. “Gordin” Alexandre Freitas Mariano, a waste picker and coordinator with the National Movement, was part of the team that coordinated recycling at six locations where Rio+20 events will be held. Mariano, like many waste pickers in Rio, says that waste pickers in the city and region have faced a number of problems for years. But he says the waste pickers are uniting.

“We have to be prepared for the mega-events [2014 World Cup and 2016 Olympics]. We have to take advantage of these times and come together as much as possible to advance as waste pickers. And to make gains and continue after recycling goes out of style … after the World Cup everyone is going to forget about sustainability. For those of us who sustain ourselves with sustainability, when this trend dies off, it’s going to be difficult.”

The waste pickers of Rio and the metropolitan region are preparing to draft a letter to the federal government in which they will discuss the serious problems they’ve been facing for years. According to Mariano, one of the biggest issues in Rio is that the municipal recycling collection system is inadequate.

“The fact that the city government does not drop the recyclable materials off at the cooperatives and the fact that the city mixes the recyclable materials that residents separate when it uses a compactor truck to transport it,” he said. Waste picker groups must go seek out recyclable materials on their own. The recyclable material the city picks up is dumped at a transfer station very distant from most of the cooperatives, he added. Most do not bother going there because the material is so damaged anyway. “It makes it difficult to participate,” said Mariano.

In Duque de Caxias, a neighboring municipality, there is no recycling collection at all. In the meantime, waste pickers are communicating directly and forming relationships with big producers of recyclable materials. “If we were to count on the municipal recycling collection, we would die of hunger,” he said.

“The population is doing the right thing separating their recyclables,” Mariano said. “It’s COMLURB [municipal waste service] that’s not.”

According to Mariano, companies are working a lot more with waste pickers than they were in the past, for example, when he started working as a waste picker in 1998. “Years ago, nobody cared about waste pickers. Today, there are multinational corporations that support us.”