ALIANÇA GLOBAL DE CATADORES
ALIANÇA GLOBAL DE
CATADORES
A Aliança Global de Catadores é um processo de articulação entre milhares de organizações de catadores de materiais recicláveis apoiado pela WIEGO em mais de 28 países cobrindo principalmente América Latina, Ásia e África.
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País Brasil

maio 28, 2013


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Foto de grupo com os participantes do projeto sobre gênero em Minas Gerais/ Group photo with participants of the gender project workshop in Minas Gerais.

Foto de grupo com os participantes do projeto sobre gênero em Minas Gerais/ Group photo with participants of the gender project workshop in Minas Gerais.

Por Sonia Dias, WIEGO
Fotos por Ana Carolina Ogando e Sonia Dias

Trabalhar o empoderamento das mulheres não implica exclusão dos homens, significa contribuir para a emancipação de todos, homens e mulheres.

Com essa ideia na cabeça foi que a Rede Latino-americana de catadores (Red Lacre), o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e a WIEGO começaram a discutir em 2012 a importância de começar um processo para discussão da temática de gênero no mundo da catação. Aproveitando a proximidade com o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPEM) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) optou-se por um projeto piloto em Minas Gerais que buscasse mapear, explorar quais as principais temáticas para um futuro programa de formação em gênero em nível nacional e para o continente latino-americano.

O processo de elaboração do projeto se deu de forma participativa em 2012 através de inúmeros encontros com mulheres catadoras de várias cooperativas do estado onde ficou decidido que oficinas exploratórias seriam realizadas em quatro regiões do estado. Assim, após este processo participativo, o projeto de formação em gênero nasceu em 2013 numa parceria do MNCR/ANCAT, WIEGO, NEPEM e INSEA.

De caráter exploratório o projeto busca envolver as mulheres catadoras na discussão das múltiplas discriminações que as mulheres enfrentam no lar e no trabalho e enquanto liderança política. Além disso, o projeto pretende mapear quais seriam as necessidades estratégicas e práticas, em termos de capacitação e qualificação profissional e educacional, que as mulheres catadoras precisam para atingir o empoderamento econômico e político.

E as oficinas já começaram! A primeira realizada dia 13 de maio com catadoras da Região Metropolitana de Belo Horizonte contou com a participação de 17 entusiasmadas mulheres catadoras que durante um dia participaram da oficina coordenada pela equipe do NEPEM nas dependências da Universidade Federal de Minas Gerais.

As mulheres começaram o dia com uma apresentação poética da catadora Tia Cléia e exploraram, através de técnicas participativas, temas como autonomia, masculinidades e feminilidades e os obstáculos ao seu empoderamento bem como sugestões de enfrentamento. A energia, a qualidade das discussões, o comprometimento e a paixão destas mulheres na luta por uma sociedade mais justa para todos e na luta específica dos catadores e catadoras de recicláveis marcaram a tônica da oficina.

Falar de gênero deve ser visto não como um problema, mas como uma solução – isso ficou claro na oficina. Incorporar a dimensão de gênero é importante contribui para aprofundar a democracia interna das organizações representativas e contribui para o estabelecimento de relações mais igualitárias entre homens e mulheres. Ou seja, falar de gênero tem tudo a ver com as bandeiras de luta do movimento social de catadores e catadoras que com sua criação rompeu a invisibilidade desta categoria.

Parabéns às mulheres catadoras, parabéns ao MNCR por encampar esta bandeira. Parabéns a todos os parceiros do projeto.