GLOBAL ALLIANCE OF WASTE PICKERS
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February 19, 2012


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Brasil – 22 fev 2012 –

O Programa Municipal de Coleta Seletiva atende atualmente 1.636 ruas de Sorocaba. O número corresponde a aproximadamente um terço da cidade, já que a Prefeitura calcula a existência de 5 mil vias públicas no município. As quatro cooperativas em atividade atuam em 183 dos cerca de 500 bairros, o equivalente à retirada de plásticos, metais, papéis e vidros de 26 mil pontos – entre residências, comércios, indústrias e prédios públicos.

O resultado desse trabalho corresponde à reciclagem de aproximadamente 340 toneladas de resíduos sólidos por mês. O volume só não é maior, segundo as próprias cooperativas, devido à falta de estrutura física – entre galpões de separação e estocagem e caminhões para o recolhimento dos resíduos nas ruas.

Já a Secretaria de Parcerias (Separ) informa que a base de cálculo da abrangência atingida pelo programa é feita sobre o número de casas atendidas. Com essa matemática, a Prefeitura estipula que 22% da cidade é visitada por uma das quatro cooperativas. “O foco é ampliar o atendimento de residências gradativamente”, diz, em nota, a assessoria de imprensa do governo municipal.

A Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso) atende 893 ruas de 110 bairros das zonas norte, leste e oeste. Isso corresponde a aproximadamente 13 mil pontos. Já a Central de Reciclagem da Zona Oeste é formada por três cooperativas: Reviver, Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Material Reaproveitável de Sorocaba (Catares) e Espaço Cooperado de Empoderamento Social (Ecoeso). Juntas, elas atuam em 743 vias públicas de 73 bairros e atingem mais de 10 mil locais.

A dona de casa Antônia Soto de Aro, 80 anos, mora na Vila Santana e faz há um ano a reciclagem do lixo em sua residência. A região é atendida pela Catares e os agentes ambientais passam semanalmente, todas as terças-feiras, para o recolhimento do material. Antônia coloca as garrafas PET, os jornais antigos, os vidros de alimentos e as latas de conservas no interior de um saco amarelo de plástico resistente, com capacidade para 100 litros de resíduos, doado pela Catares. Pela manhã, os agentes coletam o material e devolvem a embalagem aos moradores. “O trabalho deles é uma maravilha e o lixo de casa fica mais vazio por receber basicamente só resto de alimentos”, diz.

A separação dos materiais também é feita por Milton Rosa, 70, morador da rua Aparecida. Lá, o caminhão da Catares não estaciona devido ao trânsito intenso. Por isso, o aposentado agrupa os resíduos no interior do saco amarelo e, na terça-feira de manhã, leva a embalagem à casa do aposentado Odair Vetorazzo, 70, que mora na rua Frei Galvão. “Assim eu ajudo a deixar a cidade mais limpa”, comenta Rosa.

Cada caminhão da Catares faz a coleta diariamente com o itinerário definido, com o nome das ruas e os locais para a retirada dos materiais. O trabalho é feito com um motorista e cinco agentes ambientais – dois ficam dentro do caminhão e três circulam pelas vias públicas para o recolhimento dos sacos amarelos.

O estudante Júnior Farias de França, 20 anos, estuda Engenharia Ambiental na Universidade de Sorocaba (Uniso) e trabalha na Catares. Ele faz parte de um programa de bolsa de estudos e, na cooperativa, auxilia na logística do trabalho nas ruas. “Eu consigo saber quais residências ou comércios continuam a separar o lixo e quantos começaram a fazer essa reciclagem”, comenta.

Já a situação no Jardim Gutierres é diferente. O jornalista José Carlos Rodrigues, 49 anos, diz ser raro uma cooperativa de recicláveis passar pela região. “Não tem dia e horário certo, por isso muita gente deixa de separar o lixo”, comenta.

O administrador Silvio Luz Júnior, responsável pela Reviver, Catares e Ecoeso, ressalta o crescimento na quantidade de resíduos recicláveis nos últimos quatro meses. Em outubro de 2011, os 80 funcionários coletaram 153 toneladas, No mês passado, o número chegou a 184,5 toneladas. “Podemos chegar a 200 toneladas caso consigamos uma empilhadeira para estocar o material para cima, pois para os lados não temos mais espaço”, diz Júnior.

O barracão da chamada Central de Reciclagem da Zona Oeste, situado no Jardim Zulmira, também costuma receber resíduos não recicláveis. “As pessoas costumam separar isopor, papel higiênico e celofane, frauda e até sapato velho”, comenta o administrador. “Cerca de 5% desse total de lixo mandado para a reciclagem é encaminhado por nós ao aterro sanitário”, completa.

Já a Coreso é a maior cooperativa da cidade e atua em 110 bairros, menos na zona sul da cidade. A presidente do Centro de Estudos e Apoio do Desenvolvimento e Cidadania (Ceadec), Rita de Cássia Gonçalves Viana, diz que isso não significa uma atuação completa nas três regiões do município. “Várias ruas desses bairros não são atendidas por falta de estrutura”, relata.

Atualmente, a Coreso possui dois galpões na zona norte para atender 19 bairros. Na zona oeste, cuja abrangência é de 38 bairros, a entidade tem um galpão pronto e outro em processo de construção. Já a zona leste, segundo Rita de Cássia, é a melhor atendida com um barracão para dar conta de 53 bairros.

De acordo com a Separ, a maior parte do material coletado é separado e vendido para empresas que fazem o beneficiamento. Esse processo gera renda para mais de 100 famílias de catadores em Sorocaba.

A Separ informa que o Programa de Coleta Seletiva mantém parceria com as quatro cooperativas de reciclagem de Sorocaba. Elas recebem apoio e infraestrutura municipal, como prensas, caminhões, bags, elevador de fardos, geladeira, fogão, computadores, impressoras, uniformes e equipamento de proteção individual.

Para ajudar, o munícipe pode separar seu material reciclável, o mais limpo possível, e procurar a cooperativa mais próxima de sua residência para a destinação correta. O óleo de cozinha usado pode ser acondicionado em garrafas do tipo PET. Ler o original