ALIANÇA GLOBAL DE CATADORES
ALIANÇA GLOBAL DE
CATADORES
A Aliança Global de Catadores é um processo de articulação entre milhares de organizações de catadores de materiais recicláveis apoiado pela WIEGO em mais de 28 países cobrindo principalmente América Latina, Ásia e África.
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Escrito por MNCR

outubro 29, 2013


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10/29/2013
Catadores da cooperativa Cruma de Poá. Foto: MNCR.

Catadores da cooperativa Cruma de Poá. Foto: MNCR.

Os catadores de materiais recicláveis são hoje foco das políticas públicas de geração de renda e formação profissional ao sensibilizarem os poderes públicos sobre a invisibilidade de seu trabalho, por um lado, e o beneficio socioambiental resultado dessa atividade. Pesquisa recente publicada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) analisou o impacto desses trabalhadores e destacou a participação das mulheres nesse contexto.

A pesquisa utilizou os dados do Censo 2010 do IBGE para traçar o perfil dos catadores de materiais recicláveis no Brasil e concluiu que 400 mil trabalhadores se declaram como Catadores de Resíduos, as mulheres representam 31,1% desse total. Segundo o IPEA, alguns fatores sociológicos podem explicar essa discrepância desses dados em relação as estimativas, por exemplo, o fato de algumas mulheres exercerem outras atividades, como o cuidado do lar e da família, e entenderem que a coleta de resíduos seja uma mera atividade complementar. Ou seja, muitas mulheres catadoras não se identificaram com a atividade por manterem a identidade de domésticas ou trabalhadoras do lar como trabalho principal. A pesquisa indica também em suas famílias tem cerca de 700 mil crianças sustentadas por meio da renda da coleta de resíduos recicláveis.

O IPEA admite que o número total de catadores pode ser bem maior, uma vez que o Censo considera apenas o que declara o entrevistado, por ser uma profissão ainda pouco valorizada e ainda nova no mercado uma parte dos trabalhadores não se assume como profissional.

As estimativas do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) indicam o número de 800 mil trabalhadores em atividade hoje no Brasil, entre os quais 70% seria mulheres. A estimativa é compatível com os dados do IPEA quando considerada as trabalhadoras que estão organizadas em cooperativas e associações, a maior parte é negra ou parda, segundo o IPEA. “Observei nas visitas às cooperativas que elas aparentam ser mais sensíveis a essas organizações e os homens mais refratários a cumprir uma disciplina de trabalho”, explica Albino Rodrigues Alvarez, coordenador da pesquisa do IPEA. “Por isso as mulheres têm assumido a liderança nas cooperativas”, constata.

As catadoras, em muitos casos arrimos de família, são verdadeiras lideranças comunitárias que agregam, conciliam e organizam outros trabalhadores em seu entorno. A função de administradora familiar vai de encontro com a necessidade das organizações autogestionárias (cooperativas e associações) que hoje vem sendo incluídas formalmente nas políticas públicas e fomentadas pelos Governos. É recorrente a atuação das mulheres do trabalho de triagem e classificação dos materiais, trabalho que é considerado núcleo principal do processo produtivo das organizações de catadores, por isso também é a função que recebe maior pressão no empreendimento, além de ser uma atividade pouco valorizada frente a funções consideradas “mais pesadas” como a operação de maquinário, deslocamento, carregamento e transporte de materiais funções considerados masculinas.



  1. […] A profissão dos Catadores foi reconhecida na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) pela Portaria nº 397, de 9 de outubro de 2002, do Ministério do Trabalho, sob o Código nº 5.192-05. veja mais… […]

    Pingback por CATADOR LEGAL | Catador Legal — outubro 4, 2014 @ 10:53 am